Conheça alguns dos registros fotográficos que mostram a luta e a resistência negra no Brasil e no mundo

 

Em 20 de novembro se celebra o Dia da Consciência Negra, data da morte de Zumbi dos Palmares, líder de resistência quilombola e de luta pelo fim da escravidão assassinado em 1695. A data não é motivo de comemoração, mas sim de profunda reflexão sobre o lugar do negro na sociedade brasileira.

A fotografia é um registro de mundo guiado pelo olhar, um olhar que joga luz para diferentes formas de existência. Mas a fotografia pode ser também uma forma de apagamento da corpos, da história e da cultura da população negra, muito por causa da falta de representatividade na categoria profissional.

Nessa data de tanta reflexão, selecionamos alguns grandes fotógrafos e fotógrafas que resgatam e valorizam a imagem do povo negro, seja documentando suas histórias ou visibilizando a cultura afro-brasileira. Confira:

Walter Firmo

Um dos maiores nomes da fotografia colorida e um dos fotógrafos mais premiados do Brasil, Walter Firmo é conhecido por seus retratos de expoentes da música popular, como Pixinguinha, Clementina de Jesus e Cartola. Ele também mostra um interesse profundo pela cultura e as festas populares do Brasil, e se destaca pela sensibilidade no uso da luz em seus trabalhos. 

Retrato de Cartola, em 1963. Foto: Walter Firmo

Zanele Muholi

Fotógrafa e ativista visual sul-africana, Zanele Muholi desenvolve o projeto Faces e fases há mais de uma década, retratando mulheres lésbicas em uma série que já ultrapassa 250 imagens. O acervo está sempre recebendo mais e mais rostos, mostrando a força e a resistência da identidade queer na sociedade sul-africana.

Retrato de Ayanda Mqakayi. Foto: Zanele Muholi

Cecil J Williams

Cecil começou a carreira de fotojornalista na década de  50, aos 15 anos, no estado segregado da Carolina do Sul. O fotógrafo ganhou notoriedade por seus comoventes registros do movimento negro de enfrentamento às políticas segregacionistas nos Estados Unidos, e virou referência internacional no que condiz os movimentos por direitos civis. 

Foto: Cecil J. Williams

Stephen Shames

Sua amizade com Bobby Seale, um dos membros fundadores dos Panteras Negras, possibilitou a imersão do fotógrafo na realidade dos ativistas revolucionários da década de 70, nos Estados Unidos. Shames era um fotógrafo iniciante na época, mas isso não o impediu de realizar um importante trabalho documental para a história do movimento.

Crianças protestam contra o julgamento dos Panteras Negras Bobby Seale e Ericka Huggins, em 1970. Foto: Stephen Shames

Lázaro Roberto 

Com mais de 40 anos de carreira, o baiano Lázaro Roberto é um expoente da fotografia documental afro-baiana. Junto de seu sobrinho e historiador José Carlos Ferreira, possui um acervo de mais de 30 mil imagens que retratam a cultura popular na Bahia. O fotógrafo é também criador do Arquivo Fotográfico Zumvi, que busca dar mais visibilidade a fotógrafos ligados a cultura negra.

Arrumadores da Feira de São Joaquim, 1992. Foto: Lázaro Roberto

Thais Alvarenga

Arte e educação, juntas, para falar de feminismo. Essa é a ideia que moveu Thais Alvarenga na fundação da Vivência das Manas, na favela da Vila Clemente no Rio. O que começou como uma oficina de fotografia, se transformou em um espaço para meninas de 6 a 12 anos se sentirem à vontade, trocarem saberes e entenderem um conceito de arte que as represente verdadeiramente.

Banho de mangueira, 2012. Foto: Thais Alvarenga

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