Durante o momento mais delicado da pandemia, homenageamos as mulheres que atuam na linha de frente dos hospitais.

Vivemos um momento que requer muita união, reflexão, resiliência e respeito ao próximo. O mês de março ainda não acabou, e no entanto já levou mais vidas que qualquer outro mês desde a primeira morte por covid-19 no país.

Na IMM, não cansamos de dizer que enxergar a realidade é um ato transformador. E no mês de março, que celebra o Dia Internacional da Mulher, voltamos o nosso olhar para a realidade feminina presente em nossas ações, na nossa equipe e nos lugares por onde passamos. Em um ano de intensa atuação em hospitais com o nosso projeto Conexões do Cuidar, ficou visível a preponderância de mulheres na linha de frente do combate à pandemia.

Foi no projeto que conhecemos a fisioterapeuta Leda Renata Junqueira, no Hospital do Coração de Franca, onde ela trabalha há 24 anos. Desde março do ano passado, Leda atua na ala Covid. “Passamos momentos difíceis de tristeza, e também de alegria ao ver nossos pacientes saindo de lá bem. Nosso trabalho é muito importante”, conta Leda, ressaltando a grande representatividade feminina no setor de cuidado: “Ser mulher e estar me dedicando ao máximo me deixa muito feliz.”

De fato, elas são a maioria entre profissionais na área da saúde, representando quase 85% do setor de enfermagem (dados do Cofen). Porém, aqueles que ocupam os cargos de tomada de decisão e as mais altas posições nos hospitais continuam sendo majoritariamente homens. Na saúde, assim como na sociedade, as desigualdades de gênero e raça existem e diferenciam a forma como a pandemia afeta profissionais na linha de frente.

Imagem: André François

Entre profissionais de saúde, mulheres negras são as mais expostas a dificuldades pela covid-19, como mostrou uma pesquisa feita pelo Núcleo de Estudos da Burocracia da FGV. Em geral, elas recebem menor amparo, treinamento e equipamentos de proteção. Como consequência, ficam mais expostas ao medo, à desconfiança e à tristeza em relação a mulheres brancas e homens brancos e negros.

Andressa Oliveira, que é técnica de enfermagem e atua no setor onco-hematológico, contou sobre suas percepções na profissão: “Vejo que o quadro de profissionais na minha área é em peso de mulheres. E elas representam muita força, garra, carinho e determinação. Ouço e vejo muitas delas sustentando lares, educando seus filhos por vezes sozinhas, e sabemos que a situação da Covid afeta nossos sentidos e sensibilidades.”

Mesmo não tratando diretamente dos casos do novo coronavírus, Andressa não deixa de sentir os impactos na nova onda. “Apesar do setor ser oncológico, houve casos com os nossos pacientes por infecção familiar ou por colaboradores. Tratamos de pacientes com imunidade baixa e sabemos o quanto eles são frágeis. Tentamos fazer um plantão alegre, mas tem dias em que a lágrima escorre em nossos rostos. E todos os dias peço proteção a todos, agora é um momento de empatia, amor e força.”

Acima de tudo, o momento agora é de união

Adriana dos Santos Tenório, que é psicóloga hospitalar, também compartilhou a sua experiência conosco: “A minha atuação enquanto psicóloga de um setor de urgência está diretamente ligada ao acolhimento aos pacientes, familiares e também à equipe quando se faz necessário”, explica. Ela também reconhece que a representatividade feminina em sua realidade de trabalho é “forte, ativa e real”. “Em minha realidade de trabalho, as mulheres são a grande maioria das equipes da área de saúde”.

Ao relembrar as experiências que viveu dentro das UTIs, Adriana tem uma certeza: nunca precisamos tanto de uma dimensão coletiva como hoje. “Para além de mencionar que as mulheres compõem a grande maioria de prestadores de serviço no local onde trabalho, penso que seja importante mencionar que, nesse momento, na atual situação mundial, mais do que nunca precisamos uns dos outros, não importando se esse outro é homem ou mulher”. 

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